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Autor: Ms. João Batista Alvarenga
Título: A Cineliteratura como comunicação literária e audiovisual: Lispector e Dourado sob olhar de Suzana Amaral
Orientador: Prof. Dr. Paulo Braz Clemêncio Schettino


Resumo


A pesquisa que resultou nesta dissertação teve como objetivo desenvolver investigações sobre a transposição da linguagem escrita para a linguagem do audiovisual, centradas nas obras literárias: "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector e "Uma Vida em Segredo", de Autran Dourado, adaptadas para o cinema pela cineasta Suzana Amaral. A análise comparativa acentuou a importância do livro como ferramenta dos media e o papel da cineliteratura como instrumento de difusão de obras clássicas da literatura como cultura de massa operada pelo Cinema. Ao abordar os pontos convergentes e divergentes entre duas personagens genuinamente brasileiras, buscou-se estudar aspectos ligados às características intrínsecas das personagens centrais das duas obras: Macabéa, de "A Hora da Estrela", e Prima Biela, de "Uma vida em segredo".
Forçoso voltar também atenção especial para a problemática da dificuldade de comunicação, situação que se faz presente em ambas as personagens. Atentou-se para as devidas distâncias – tempo e espaço –, visto a personagem de Lispector ser nordestina (embora ela afirme, inoricamente, numa das passagens do romance: "sou nortista, porque baiano é macumbeiro"), enquanto a de Dourado, mineira, em todos os sentidos de "ser" e "estar" neste mundo.
Assim, esta abordagem analisou os enfoques regionais, tanto do jeito nordestino e perdido de ser de Macabéa e da mineirice de Prima Biela, observando aspectos curiosos: se nelas teriam ocorrido ou não as trocas culturais. Acrescentando ainda as rejeições que as duas personagens teriam sentido, em sua pele, no novo habitat ao qual tentaram pertencer, visto que migração e desenraizamento são a marca preponderante dos romances modernistas, onde o indivíduo é diluído na nova sociedade, havendo uma despersonalização do migrante.

 

A Cineliteratura como comunicação literária e audiovisual: Lispector e Dourado sob olhar de Suzana Amaral